segunda-feira, 23 de maio de 2011

Liderança eficaz: além dos fatores comportamentais.

Colaboração: Ério Nascimento *

                 Tem me chamado atenção a grande quantidade de cursos, livros e palestras com o objetivo de desenvolver conceitos e habilidades de liderança a profissionais, independente dos seus estágios de carreira ou posições hierárquicas que ocupem nas organizações.
            O interesse pelo tema é constante em planos de treinamento de empresas que visualizam o seu crescimento com a efetiva participação dos seus gestores, bem como em dimensão igual por colaboradores ou executivos que vislumbram a importância do entendimento e aplicação de instrumentos que maximizem o processo de liderar as suas respectivas equipes e até mesmo os seus pares e superiores em projetos ou decisões relevantes.
            Habilidades de comunicação, negociação, empatia, motivação, entre outras, são itens freqüentes em cursos que objetivam a capacitação de gestores para que alcancem a eficácia na gestão de pessoas.
            Ao considerarmos os conceitos recentes de Competência, identificamos que a soma de conhecimentos, experiências, habilidades e atitudes fazem parte da maioria dos conceitos usualmente utilizados no meio acadêmico e empresarial, com ênfase naqueles que se direcionam para o comportamento do líder frente a pessoas e situações no seu ambiente de trabalho.
            Saber ouvir os seus liderados, saber entender as necessidades da equipe e saber mobilizar o time para superação de resultados, passou a ser moeda de alto valor no currículo de qualquer profissional que tenha a ambição de crescer dentro da empresa e obter reconhecimento positivo dos seus subordinados, pares e superiores.
Em complemento, entendo que outros dois fatores necessitam ser considerados como fundamentais no exercício eficaz da liderança, mas que na maioria dos cursos e palestras não são abordados com a mesma atenção em relação as habilidades comentadas anteriormente, ou seja: a influência da cultura da empresa e o processo de gerenciamento para o alcance de resultados.
Primeiramente, entendo que os ambientes de trabalho geram situações que podem favorecer alguns estilos de liderança e desfavorecer a aplicação de outros estilos.
Exemplificando, em uma empresa em que a cultura instalada é a do “dono”, em que as suas idéias, a sua forma de se relacionar e tomar decisões predomina sobre outras práticas, um gestor será visto como um líder diferenciado se tiver a habilidade de obter a confiança e respeito da liderança máxima, e a partir deste vínculo, conseguir se aproximar da equipe e direcioná-la para os objetivos da empresa e do crescimento pessoal dos seus integrantes.
Tive a oportunidade de conhecer um gestor com excelente desempenho em uma empresa, referenciado pelos seus liderados e superiores, e em razão desta performance superior foi contratado por outra organização para modernizar a gestão da empresa. Passados dez meses foi desligado porque não conseguiu ser referenciado como líder pela sua equipe e superiores. “O seu estilo era muito diferente do nosso”, esta foi a explicação que ele ouviu ao sair da empresa.
Portanto, insisto que é de grande importância o profissional conhecer os valores e práticas de gestão entre as pessoas no ambiente de trabalho e considerar o fator cultural como um item relevante na sua avaliação em relação a oportunidades profissionais.
O outro fator que costumo salientar refere-se ao que eu chamo de Processo de Gerenciamento, ou seja: liderar também é planejar, organizar, executar e cobrar. Apenas as habilidades comportamentais, no meu entendimento, não possibilitam o exercício pleno de liderança em um ambiente empresarial.
Alcançar resultados é condição de sobrevivência no ambiente de negócios, se o líder desenvolver apenas a capacidade de mobilizar, inspirar ou influenciar os seus liderados, mas atuar sem foco, com dispersão de recursos e como conseqüência obter resultados medíocres, nem os próprios liderados o seguirão.
Liderança requer uma soma de requisitos pessoais, que qualificam o profissional com habilidades comportamentais para um relacionamento eficaz com outras pessoas, integrados a valores e princípios validados pelos integrantes do ambiente da empresa e complementados pela eficiente capacidade de executar ações e superar resultados de forma organizada, com controle e domínio das atividades chaves que estão sob a sua responsabilidade.



* Professor em programas de Pós-graduação da ESPM Sul
  Sócio consultor da NR Consultoria Empresarial
  Mestre em Administração - PUCRJ


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Orçamento empresarial - uma ferramenta de gestão.

A velocidade com que o mercado e as organizações vêm se desenvolvendo após a abertura das fronteiras mercadológicas, acabou por gerar uma necessidade de qualificação da gestão em todas as suas áreas.
Os processos de gestão estão assumindo cada vez mais espaço dentro das empresas, principalmente no que diz respeito a necessidade de se estabelecer planejamentos que unam a estratégia empresarial, aos resultados financeiros capazes de propiciar a manutenção, evolução e a perpetuidade das organizações.
Diante deste contexto, muitas organizações buscam ferramentas capazes de gerar informações para a tomada de decisão, tanto para as ações do presente, mas principalmente para vislumbrar o futuro.
O orçamento é o instrumento capaz de propiciar a descrição de todo o plano geral de operações e/ou de capital de uma empresa, orientado por objetivos e metas propostos pela administração da empresa para um determinado período.
Portanto, o orçamento, independente da metodologia adotada, tem um papel fundamental dentro do contexto de planejamento, pois transforma os objetivos em metas claras, unindo toda a organização, possibilitando a mensuração periódica, facilitando assim as tomadas de decisão.
Acontece, porém, que aquelas organizações que ainda não possuem um orçamento devidamente estruturado, normalmente tem grande dificuldades para definir um modelo, ou se o define, faz com base em experiências de outras empresas, utilizando-se muitas vezes os mesmos processos de elaboração.
Este processo de “cópia” de uma estrutura já adotada, mesmo com adaptações, pode trazer alguns impactos negativos na gestão, principalmente por não considerar as características próprias da cultura da organização, e com isto gerar reflexos tais como:
* Criar nos administradores, a sensação de que a ferramenta não cumpre o papel de planejamento, execução e controle;
* Não contemplar todos os detalhes da operação;
*  Gerar informações distorcidas e afetar a tomada de decisão no futuro;
* Gerar cobranças por resultados que não se refletem a realidade da organização;
* Propiciar uma avaliação equivocada quanto ao trabalho de gestores.
Com isto, sempre se sugere que um primeiro orçamento seja, acima de tudo, um grande exercício de reconhecimento do negócio, identificando que tipo de visão a empresa vai querer gerar de seus resultados, como deverão ser interpretados seus dados, e fundamentalmente quem serão os efetivos gestores dos resultados.
Pense nisto!!!!
Até a próxima!!!